Pais e avós

Uma tarde com eles
vale mais que dez avisos.

Este guia é para você, filho ou filha adulta. Mandar notícia de golpe no grupo da família não protege ninguém. O que protege é sentar do lado, mexer no celular junto e combinar duas regras simples.

Atualizado em 1 de setembro de 2026

Comece pela conversa, não pelo celular

Quem se sente vigiado esconde o problema — e esconder é justamente o que faz um golpe pequeno virar grande. Diga que isso acontece com todo mundo, inclusive com gente jovem e com quem entende de tecnologia, porque a fraude não engana a inteligência: ela engana a pressa e o carinho.

O que fazer agoraCombine a frase que vale mais que qualquer configuração: “se alguém pedir dinheiro ou um código, você me liga antes — a qualquer hora, sem susto de me incomodar”. Repita isso mais de uma vez, em dias diferentes.

As duas combinações de família

  1. Uma palavra combinada. Escolham juntos uma palavra que só a família sabe, que não esteja em rede social nenhuma. Quem pedir dinheiro por mensagem tem que dizer a palavra por voz. Golpista não sabe.
  2. Desligar e ligar de volta. Qualquer ligação de banco, de operadora ou de parente pedindo dinheiro termina do mesmo jeito: desliga e liga de volta pelo número que já estava na agenda ou impresso no cartão. Não é grosseria, é o procedimento.

Escreva as duas regras em um papel e deixe perto do lugar onde eles atendem o telefone. Parece antiquado; funciona melhor do que qualquer aplicativo.

Os ajustes no celular, em vinte minutos

Sente do lado e faça junto, explicando o que cada coisa faz. Assim eles sabem desfazer depois:

  1. Ative a verificação em duas etapas do WhatsApp e anote o PIN de seis dígitos em um lugar seguro, junto com um e-mail de recuperação. Esse item sozinho evita o golpe mais comum.
  2. Ligue as notificações de qualquer valor no aplicativo do banco, para que toda saída de dinheiro apareça na hora.
  3. Reduza o limite do Pix, principalmente o noturno, para um valor que dê tranquilidade. Aumentar depois leva algumas horas — e essas horas são a proteção.
  4. Confira se os aplicativos vêm da loja do próprio celular e desligue a instalação de aplicativos de origem desconhecida.
  5. Atualize o sistema e ative o bloqueio de tela com senha ou biometria.
  6. Deixe salvo na agenda o número do banco impresso no cartão, com um nome fácil, para que eles nunca precisem procurar um telefone na internet.

O que ensinar a reconhecer

Não tente ensinar todos os golpes. Ensine o formato, que é sempre o mesmo:

Se três desses aparecem juntos, a resposta é sempre a mesma: parar e ligar de volta pelo caminho conhecido.

Se eles já caíram

Primeiro, não brigue. Vergonha faz a pessoa esconder o segundo golpe, e ele quase sempre vem.

O que fazer agoraLigue com eles para o banco, pelo número do verso do cartão, e peça o MED se foi Pix. Anote o protocolo. Depois registre o boletim de ocorrência pela Delegacia Virtual, troquem as senhas de um aparelho de confiança e avisem a família por ligação.

Nos dias seguintes, fique atento a quem oferecer ajuda para trazer o valor de volta: golpistas procuram vítimas recentes, e pessoas idosas são o alvo preferido dessa segunda tentativa.

O Verifica não fala com banco, polícia ou serviço de emergência por você e não pode garantir a recuperação.

Dúvidas frequentes

Meu pai acha que isso nunca vai acontecer com ele. Como convenço?

Não tente convencer com medo. Peça ajuda: “pai, me ajuda a deixar isso ajustado para eu ficar tranquilo”. Fazer junto funciona melhor do que alertar.

Posso simplesmente controlar a conta bancária deles?

Cuidado. Tirar autonomia gera resistência e faz eles resolverem as coisas escondido. Prefira limites baixos, notificações e a combinação de ligar antes de pagar.

Eles moram longe. Dá para fazer à distância?

Dá. Faça uma chamada de vídeo e peça para eles mostrarem a tela, ou use o recurso de compartilhar tela. Só nunca instale programa de acesso remoto pedido por terceiros.

Qual é o ajuste mais importante, se eu só puder fazer um?

A verificação em duas etapas do WhatsApp, junto com a palavra combinada em família. As duas coisas atacam o golpe que mais atinge essa faixa de idade.

Na dúvida, encaminha.

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O Verifica não é banco, WhatsApp, Meta, polícia ou órgão público, e nunca pede senha, código de verificação ou dados do cartão.

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