Você caiu num golpe.
Comece pelo banco, agora.
Respire. A culpa não é sua: golpes são feitos por gente que faz isso o dia inteiro. O que ainda dá para mudar depende da ordem dos próximos passos — e o primeiro é o banco.
Atualizado em 1 de setembro de 2026
Faça isto antes de qualquer outra coisa
A chance de bloquear o valor cai a cada hora que passa, porque o dinheiro costuma ser dividido e enviado adiante logo depois de cair na conta do golpista. Por isso o banco vem antes do boletim de ocorrência, antes de trocar senhas e antes de contar para alguém.
Fale com o banco pelo aplicativo que você já usava ou pelo número impresso no verso do seu cartão. Nunca por telefone, link ou aplicativo que tenha chegado na mensagem do golpe.
A ordem dos quatro passos
Faça nesta sequência. Cada passo leva poucos minutos:
- Banco e MED. Peça o bloqueio e a devolução do valor. Anote o protocolo.
- Bloqueie o que ainda pode ser usado. Cartão, conta, aparelho, aplicativos.
- Registre o boletim de ocorrência. Dá para fazer pela internet, na Delegacia Virtual do seu estado.
- Troque as senhas e avise a família, de um aparelho de confiança e por ligação.
1. Banco e MED — na primeira hora
Ao falar com o banco, tenha em mãos o comprovante do Pix. Diga estas quatro coisas, nesta ordem:
- “Fui vítima de um golpe e quero abrir um MED.”
- A data, o horário e o valor exato da transferência.
- A chave Pix, o nome ou o banco que aparecem no comprovante como destino.
- “Me passa o número do protocolo, por favor.”
O MED pode ser pedido em até 80 dias, mas não espere: ele só alcança o dinheiro que ainda estiver parado na conta de destino. Se o banco negar ou enrolar, registre uma reclamação no canal de atendimento do Banco Central ou no Procon do seu estado, sempre com o número do protocolo.
Se o pagamento foi no cartão, o caminho é outro: bloqueie o cartão e conteste cada compra que você não reconhece. Se foi boleto, peça a contestação ao seu banco e guarde o comprovante, que mostra quem recebeu.
2. Bloqueie o que ainda pode ser usado
O golpe raramente termina no primeiro valor. Feche as portas que ficaram abertas:
- Bloqueie o cartão pelo aplicativo e peça um novo.
- Se você instalou algum aplicativo a pedido do golpista, tire o aparelho da internet, desinstale o aplicativo e só então mexa nas contas, de outro aparelho.
- Confira Pix agendados, Pix automáticos, cartões virtuais, limites, empréstimos contratados e mudanças de cadastro.
- Se você passou uma senha ou um código, troque a senha agora, mesmo que nada estranho tenha aparecido ainda.
3. Registre o boletim de ocorrência
O boletim é o documento que transforma o seu caso em uma ocorrência oficial. Ele costuma ser exigido pelo banco na análise, serve para contestar cobranças e é o que permite que a polícia ligue o seu caso a outros iguais.
Quase todos os estados aceitam o registro pela internet, na Delegacia Virtual da Polícia Civil. Quem não tem portal próprio usa o serviço nacional do Ministério da Justiça. Conte os fatos em ordem e inclua data, horário, valor, forma de pagamento, o contato do golpista e os protocolos do banco.
4. Senhas, aparelhos e avisos
Use um aparelho de confiança — de preferência não o mesmo em que o golpe aconteceu:
- Troque a senha do banco e a do e-mail. O e-mail é a chave que recupera todas as outras contas.
- Troque as senhas repetidas em outros serviços. Senha repetida é a porta seguinte.
- Encerre sessões e aparelhos conectados que você não reconhece.
- Ative a verificação em duas etapas no banco, no e-mail e no WhatsApp.
Depois avise, por ligação, a família e as pessoas com quem você fala todo dia. Golpistas usam os seus dados e o seu nome para chegar a quem confia em você.
Cuidado com o golpe em cima do golpe
Depois de um golpe é comum aparecer um segundo. Alguém liga, manda mensagem ou comenta na sua rede social dizendo que consegue trazer o valor de volta, e pede uma taxa adiantada, uma senha ou um código. Ninguém que procura você do nada tem esse poder.
Dúvidas frequentes
Quanto tempo eu tenho para pedir o MED?
O pedido pode ser feito em até 80 dias, mas o que decide é a rapidez: o MED só bloqueia o valor que ainda estiver na conta de destino. Peça na primeira hora, mesmo de madrugada, pelo aplicativo do banco.
Faço o boletim de ocorrência antes de ligar para o banco?
Não. O banco vem primeiro, porque só ele consegue bloquear o valor. O boletim é importante e você faz logo depois — ele não tem esse prazo de horas.
Tenho vergonha de contar. Preciso mesmo avisar alguém?
Precisa. Golpistas costumam usar seus dados para chegar aos seus contatos, e um aviso rápido evita que outra pessoa da família pague. A vergonha é a única parte do golpe que ainda está sob o seu controle.
O golpista mandou mensagem oferecendo devolver o valor. Respondo?
Não. É o mesmo golpista ou um parceiro dele tentando uma segunda vez. Bloqueie, guarde os prints e inclua isso no boletim de ocorrência.
Na dúvida, encaminha.
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O Verifica não é banco, WhatsApp, Meta, polícia ou órgão público, e nunca pede senha, código de verificação ou dados do cartão.
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